quinta-feira, agosto 06, 2015

Enquanto isso no Brasil

"Quero que você me aqueça nesse inverno/E que tudo o mais vá pro inferno!"


Cai uma flor no palco. O cantor se curva, apanha-a, olha para a platéia e leva a flor aos lábios. É o delírio. As meninas aplaudem, gritam, os rapazes assobiam. Uma jovem de 14 anos chora, enrolando nervosamente nos dedos um lenço branco amarrotado. O cantor diz duas frases cheias de gíria, curva-se até a altura dos joelhos, estica o braço e anuncia: "O meu amigo, Erasmo Carlos". Estava no ar mais um programa "Jovem Guarda", do líder da juventude iê-iê-iê nacional Roberto Carlos. Falando da angústia e das alegrias do jovem de classe média na sociedade de massas, o novo ídolo colocou em xeque os velhos valores da MPB, que se voltava para o regional, o sofrimento e a pobreza das gentes do interior. Segundo Augusto de Campos, "como excelentes 'tradutores' que são de um estilo internacional de música popular, Roberto e Eramos Carlos souberam deglutí-lo e contribuir com algo mais: parecem ter logrado conciliar o mass appeal com o uso funcional e moderno da voz. Chegaram, assim, nesse momento, a ser os veiculadores da 'informação nova' em matéria de música popular, apanhando a BN (Bossa Nova) desprevenida, numa fase de aparente ecletismo". (...)

(Fonte: Nosso Século - Abril Cultural - 1980)




quarta-feira, agosto 05, 2015

De Liverpool para o mundo (1957-1962) - III

Nascem os Beatles

O Quarry Men aos poucos deixou os instrumentos de skiffle e se tornou uma banda de rock de verdade. No ano de 1959, o grupo passou a se apresentar no Casbah, clube de Liverpool pertencente a Mona Best. O nome Quarry Men também foi deixado de lado e por um breve tempo os rapazes se auto-intitularam Johnny & The Moondogs. Outra novidade foi a entrada da banda de Stuart Sutcliff (também conhecido como Stu e nascido em 23 de junho de 40), amigo de John e um brilhante pintor. Apesar de não ser músico, Stu começou a tocar contrabaixo, de uma forma bem rudimentar.
O horizonte se abriu em março de 1960, quando o grupo foi convidado a participar de uma breve turnê pela Escócia, acompanhando o cantor Johnny Gentle. Para a ocasião, a banda adotou o nome de Silver Beatles, uma sugestão de John e Stu. Mas logo o "Silver" foi abandonado. O baterista na época, Tommy Moore, não ficou muito tempo e, em agosto, os rapazes convocaram para as baquetas Pete Best, filho da dona do Casbah. Best chegou a tempo de se juntar ao grupo numa viagem a Hamburgo (Alemanha), organizada pelo empresario Allan Williams.
Foi na Alemanha que o grupo começou a ganhar experiência. Os Beatles eram obrigados a tocar 12 horas seguidas, se mantendo em pé a base de sanduíches e pílulas. Os shows, selvagens e barulhentos, traziam no repertório clássicos do rock. Nessa primeira viagem, os rapazes tocaram nos clubes Indra e Kaiserkeller, fazendo um total de 106 aparições e - o mais importante - de cara fizeram amizade com Ringo Starr (nascido Richard Starkey, em 7 de julho de 1940), baterista de Rory Storm & The Hurricanes, grupo de Liverpool que também se apresentava por lá.


(Revista SHOPPING MUSIC Especial - The Beatles - Junho/1999)

segunda-feira, agosto 03, 2015

De Liverpool para o mundo (1957-1962) - II

Elvis & Skiffle

Um dos rapazes que idolatrava Elvis e Donegan era John Winston Lennon (nascido em 9 de Outubro de 1940). Abandonado pelos pais e criado por uma tia, John sempre foi de arrumar encrencas, fazia pequenos roubos e vivia se metendo em brigas. Poderia ter se tornado um delinquente juvenil se não tivesse se interessado pela música.
Ainda na escola, formou o grupo Quarry Men e tocava em festinhas e quermesses. No dia 6 de Julho de 1957, o grupo fazia um show em Wopltin Parish quando um de seus intergrantes Ivan Vaughan apresentou a Lennon um rapaz chamado James Paul McCartney (nascido em 18 de junho de 42). Impressionado com as habilidades musicais de Paul, ele o chamou imediatamente para a banda.
No dia 15 de julho dee 1958, John sofreu um duro golpe com a morte de sua mãe, Julia, com quem tinha voltado a se relacionar. Magoado, se empenhou em reestruturar o grupo. A nova aquisição para o Quarry Men foi George Harrison (nascido em 25 de fevereiro de 43), que tinha estudado no Liverpool Institute High. E foi ainda em 58 que Lennon, McCartney, Harrison, Colin Hampton e John "Dulf" Lowe fizeram sua primeira gravação, um acetado contendo, de um lado, "That Will Be the Day" (de Buddy Holly) e do outro lado "In Spite of All Danger" (música de McCartney e Harrison).

(Revista SHOPPING MUSIC Especial - The Beatles - Junho/1999)







domingo, agosto 02, 2015

De Liverpool para o mundo (1957-1962) - I

Liverpool trouxe várias glórias para o Império Britânico. Foi pelos seus portos que boa parte das riquezas e inovações tecnológicas chegaram à Inglaterra. Mas, durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade foi muito castigada e teve de se ajustar a um padrão provinciano e desprovido de glamour ou poder.
Apesar das dificuldades, o povo de lá nunca perdeu o bom-humor. Habitada na maior parte por imigrantes irlandeses, Liverpool acabou se transformando no berço de muitos comediantes e músicos. Por ser uma cidade portuária, sempre foi aberta a novidades musicais, recebendo em primeira mão discos vindos da América.
Na metade dos anos 50, o mundo foi tomado de assalto por Elvis Presly e o rock and roll. A inquieta juventude de Liverpool adotou imediatamente o ritmo. Inicialmente, os jovens tocavam skiffle, um estilo musical vindo de Chicago e que usava instrumentos improvisados e baratos como tábuas de lavar roupa e baixo de pau. Lonnie Donegan era o maior nome do movimento e seu hit "Rock Island Line" inspirou muito jovens a comprar guitarras.

(Revista SHOPPING MUSIC Especial - The Beatles - Junho/1999)


sábado, agosto 01, 2015

Wave

Quarto disco solo de Antonio Carlos Jobim, Wave chegou ao mercado norte-americano no segundo semestre de 1967, pelo selo CTI (então distribuído pela A&M Records), de Creed Taylor, que também assinou a produção. Como os álbuns solos anteriores, foi inteiramente gravado nos Estados Unidos, em apenas quatro sessões no Van Gelder Studios (dia 22, 23 e 24 de maio e 15 de junho), em Nova Jersey, com arranjos e regência do maestro alemão Claus Ogerman, então já um velho conhecido de Tom.

(Fonte Coleção Folha tributo a Tom Jobim)


quinta-feira, julho 30, 2015

COVERDALE & PAGE


Muitos falam que é Led Zeppelin mas...Isso não é Led Zeppelin! Foi um álbum de David Coverdale, do Whitesnack, e Jimmy Page.
Sem o Robert Plant e Page juntos, jamais poderia ser Led Zeppelin.  Entretanto o álbum é bom. A voz do Coverdale é parecida com a do Plant.

Robbert Plant também fez um voo solo numa banda chamada The Honeydrippers nos anos 80.
O Led acabou em 1980. Eu lembro pois era a minha banda favorita (Floyd era 'hors concours'). Plant e Page sempre andaram juntos em outros projetos, gravaram e regravaram muitas coisas do Led.
(by Sandra Maura)

Menina que passa

Esta letra foi feita por Vinicius de Moraes

Menina que passa

Vinha cansado de tudo
De tantos caminhos
Tão sem poesia
Tão sem passarinhos
Com medo da vida
Com medo de amar

Quando na tarde vazia
Tão linda no espaço
Eu vi a menina
Que vinha num passo
Cheio de balanço
Caminho do mar

Mas Tom e Vinicius não gostaram e mais tarde transformaram nesta:


(HISTÓRIA DE CANÇÕES - Tom Jobim - Wagner Homem & Luiz Roberto Oliveira - LeYa)

quarta-feira, julho 29, 2015

Menescal e Bôscoli



Menescal e Bôscoli nem desconfiavam de que haviam sido feitos um para o outro quando se conheceram, em 1956, numa das rodas de violão de outro veterano, o compositor Breno Ferreira, na Gávea. Breno era o autor de "Andorinha preta", uma toada do remotíssimo ano de 1925 e que também seria gravada por Nat "King" Cole.
(...)
Aquela noite, na casa de Breno, depois de ouvir andorinhas pretas suficientes para vários verões, Menescal passou por uma porta e saiu numa varanda onde os integrantes da roda eram bem mais jovens e o repertório também. Um dos rapazes estava cantando coisas como "Duas Contas", "Nick Bar", "Uma Loura" - enfim, os dick-farneys. Menescal ficou sabendo que o rapaz era um reporter da Última Hora, chamado Bôscoli. Devia ser ótimo jornalista, para cantar mal daquele jeito. Os dois conversaram e descobriram que, além de uma paixão em comum pelo mar, também pensavam igual sobre o estado das coisas da música popular. Achavam pavoroso.
Ambos cultivavam a maior antipatia por aquele tipo de letra penumbrosa que era o forte da época, como a de um samba-canção chamado "Bar da noite", que dizia "Garçom, apague esta luz/que eu quero ficar sozinho". Em outra música, um bolero chamado "Suicídio", o cantor simplesmente dava um tiro na gravação. Não tinham paciência nem para Antonio Maria, admiradíssimo pelos quarentões por ter escrito "Ninguém me ama/ninguém me quer/Ninguém me chama/De meu amor" e "Se eu morresse amanhã de manhã/Minha falta ninguém sentiria". Na flor do tesão, fazendo esporte e vendendo saúde, os dois moleques de praia achavam impossível identificar-se com o clima pesado daqueles sambas-canção, cheios de mulheres perversas, que traíam os homens e os levavam à morte.

Fonte: Chega de Saudade - Ruy Castro - Companhia das Letras

Nara leão - O Barquinho de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli